Tão jovens!

Quanto tempo me esquivei de mim! Achei que eu poderia fugir dos meus não-ditos, mas as palavras silenciadas pesam muitos quilos aqui dentro. Preciso derramá-las para continuar.
Na verdade escrevo porque, como define bem define o livro que estou lendo, tenho “sofrido de juventude”. Essa loucura de ver tudo mudar em dias, semanas, horas. Essa ânsia de querer tudo agora, como se não houvesse outro tempo além desse. Essa vontade de querer tocar as coisas com as mãos para acreditar que estão ali, que de alguma forma são minhas. Essa sede por abraçar o mundo, menor apenas que a crença de que ele cabe nas mãos. E, mais que isso, a fé na vida, a fé no amor, e a fé nos impossíveis de todos. É, estou bêbada de juventude. E como todo bêbado que se preze, quero errar de rua sem culpa. Numa dessas eu me encontro. A gente se encontra.

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